Fintech Jota aposta em inteligência artificial para dar a pequenos negócios acesso a funções executivas e automatizar tarefas.
A fintech Jota está redesenhando a maneira como pequenos empreendedores no Brasil gerenciam seus negócios. A empresa visa transformar a inteligência artificial (IA) em uma equipe de executivos de alto nível, os chamados C-levels, para oferecer suporte estratégico e operacional a esses empresários.
A visão do fundador e CEO, Davi Holanda, é suprir uma necessidade crítica: enquanto grandes corporações podem contratar especialistas em finanças, tecnologia e vendas, o pequeno empresário frequentemente acumula todas essas responsabilidades. O Jota propõe usar a IA para preencher essa lacuna, democratizando o acesso a funções de gestão que antes eram exclusividade de empresas maiores.
Esta estratégia ambiciosa se materializa com a evolução do produto para o Jota 3.0. A nova versão do agente de IA terá a capacidade de operar fora do aplicativo próprio da fintech, realizando tarefas como compras e pagamentos em nome do usuário, conforme informação divulgada por Fintech.
IA como equipe C-level: A visão de Davi Holanda
A tese do Jota nasceu da observação de Davi Holanda sobre os desafios enfrentados por pequenos e médios clientes. Ele percebeu que, embora muitos empreendedores dominem sua atividade principal, eles precisam lidar com uma série de outras funções para as quais não possuem formação ou experiência específica.
“É muito mais difícil gerir um negócio pequeno do que um negócio grande”, afirma Davi, destacando que profissionais como cabeleireiros ou mecânicos, por exemplo, precisam ser experts em suas áreas e, ao mesmo tempo, gerenciar finanças, operações e atendimento. Em contrapartida, empresas maiores distribuem essas tarefas entre diferentes executivos.
Holanda questiona: “Ele precisa de um CFO, CTO, CRO e um monte de outros C’s na vida dele. E o pequeno empreendedor, contrata quem?”. É precisamente esse espaço que o Jota se propõe a ocupar, oferecendo uma única interface para funções que normalmente exigiriam múltiplas ferramentas ou profissionais.
Jota 3.0: Do assistente ao agente autônomo
A jornada do produto Jota reflete essa visão. Na versão atual, o Jota 2.0, o agente já opera com memória, automações e integrações. Usuários podem, por exemplo, conectar o Google Calendar e instruir o Jota a encontrar horários e enviar convites para reuniões, além de realizar transações internas como um Pix por comando de voz.
O grande salto virá com o Jota 3.0, que expandirá a capacidade de execução para fora do ambiente do aplicativo. O agente de IA poderá acessar serviços externos e realizar tarefas em nome do empreendedor. Um exemplo citado por Davi é o pagamento de uma DARF, onde o Jota acessaria um sistema de gestão, identificaria o documento e efetuaria o pagamento, podendo até automatizar a tarefa para que “nunca mais o empreendedor esquecer de pagar imposto”.
Expansão e monetização de serviços financeiros
Embora o agente de IA seja atualmente gratuito no Jota 2.0, com a receita proveniente de tarifas sobre transações financeiras (como pagamentos com cartão de crédito e débito via WhatsApp, similar a adquirentes como Stone e Cielo), a versão Jota 3.0 será paga, segundo Davi Holanda. A estratégia é ampliar a monetização conforme novos serviços financeiros são incorporados à plataforma.
A recente rodada Série A de R$ 150 milhões, que elevou o valuation do Jota para US$ 185 milhões, impulsiona o desenvolvimento do J-Cortex, o sistema de IA interno da fintech, e a expansão da oferta de serviços. A empresa já lançou o Tap on Phone, que transforma o celular em máquina de pagamentos, e testa um produto de crédito próprio. Há, inclusive, um pedido de licença junto ao Banco Central para atuar como instituição regulada.
Crescimento exponencial e planos futuros do Jota
O Jota tem demonstrado um crescimento notável. A companhia encerrou dezembro de 2025 com cerca de 100 mil clientes e aproximadamente R$ 100 milhões processados no mês. Atualmente, a fintech se aproxima de 400 mil clientes e processa cerca de R$ 560 milhões mensais, um aumento de 5,6 vezes no volume registrado.
Esse crescimento já atraiu a atenção de investidores, com fundos sondando a empresa para uma possível rodada Série B no final de 2027. No entanto, Davi Holanda afirma que o Jota não pretende antecipar a captação: “Se fizer sentido, vamos fazer. Mas ainda é cedo, acabamos de fazer a Série A. Deixe andar mais um pouco.”
Perguntas Frequentes
O que é o Jota e qual seu objetivo principal?
O Jota é uma fintech brasileira que oferece um assistente financeiro e pessoal via WhatsApp e aplicativo próprio. Seu objetivo principal é transformar a inteligência artificial em uma equipe de C-levels para pequenos empreendedores, auxiliando-os na gestão de suas finanças, operações e outras funções cruciais de um negócio.
Como o Jota 3.0 vai auxiliar o pequeno empreendedor?
O Jota 3.0, a próxima versão do agente de IA, permitirá que a inteligência artificial realize tarefas fora do ambiente do aplicativo, como acessar serviços externos, efetuar pagamentos (ex: DARF) e realizar compras em nome do usuário. Isso visa automatizar e simplificar processos que hoje sobrecarregam o pequeno empreendedor.
Qual a estratégia de monetização do Jota?
Atualmente, o Jota monetiza através de tarifas sobre transações financeiras realizadas na plataforma, como pagamentos com cartão via WhatsApp. A partir do Jota 3.0, a versão com capacidade de execução externa será um serviço pago. A empresa também expande sua oferta com novos serviços financeiros, como Tap on Phone e produtos de crédito próprios.
Qual o volume de clientes e transações do Jota atualmente?
O Jota possui aproximadamente 400 mil clientes ativos e processa cerca de R$ 560 milhões mensais em transações. Este volume representa um crescimento significativo em relação aos 100 mil clientes e R$ 100 milhões processados em dezembro de 2025.

