TCU expõe desperdício milionário em voos da FAB: um passageiro custa R$ 81 milhões a mais anualmente
Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) trouxe à tona graves problemas na gestão do transporte aéreo de autoridades pela Força Aérea Brasileira (FAB). O levantamento, que abrangeu o período de 2020 a 2024, identificou que mais de uma centena de voos transportaram apenas um passageiro, gerando um custo extra estimado em R$ 81 milhões por ano.
O relatório detalha um cenário de fragilidades na gestão, controle e transparência do uso das aeronaves. A análise aponta que o custo por passageiro na FAB é, em média, 6,4 vezes superior ao da aviação comercial, podendo chegar a ser 160 vezes maior em casos específicos. Essa discrepância levanta sérias questões sobre a economicidade e eficiência dos deslocamentos oficiais.
Essas descobertas do TCU, divulgadas recentemente, indicam que a utilização das aeronaves da FAB para transporte de autoridades precisa de uma revisão urgente. A baixa ocupação e os custos elevados sugerem que alternativas mais econômicas e eficientes não estão sendo priorizadas, impactando diretamente os cofres públicos.
Custos Desproporcionais e Baixa Ocupação em Voos da FAB
A auditoria do TCU revelou que, entre janeiro e julho de 2024, a economia potencial com o uso de voos comerciais poderia ter chegado a R$ 36,1 milhões. Projetando esse cenário para um ano inteiro, o valor pode alcançar impressionantes R$ 81,6 milhões. A baixa taxa de ocupação média, fixada em 55%, é um dos fatores que mais contribuem para esse desperdício.
Falta de Critérios e Justificativas para o Uso de Aeronaves Oficiais
Um dos pontos mais críticos destacados pelo TCU é a ausência de uma avaliação formal sobre a real necessidade de utilizar aeronaves da FAB em substituição à aviação comercial. Em 78,7% dos voos analisados, o motivo alegado foi simplesmente “serviço”, sem que houvesse uma demonstração clara de que não existiam alternativas mais econômicas disponíveis. Essa falta de critério objetivo abre margens para subjetividade nas decisões.
Falhas Documentais e Dificuldade de Rastreabilidade
O relatório aponta ainda uma série de falhas documentais. Em uma amostra de 266 voos, 72 apresentaram problemas, como a ausência de registros, justificativas incompletas ou falta de comprovação da finalidade pública do voo. Além disso, a FAB, na prática, atua mais como executora de solicitações do que como um órgão fiscalizador da real necessidade e conformidade dos pedidos, segundo o TCU.
Sigilo Excessivo e Descarte de Informações Comprometendo o Controle
Outro ponto de atenção é a classificação de informações como sigilosas sem uma justificativa formal adequada, o que dificulta o controle e a transparência. O TCU também registrou o descarte de listas de passageiros referentes aos anos de 2020 a 2023, o que viola normas de arquivamento e compromete a rastreabilidade dos voos. A divulgação das listas de passageiros, determinada anteriormente pelo Tribunal, só começou em abril de 2024, mais de dois anos após a ordem, evidenciando descumprimento de decisões passadas.

