Táxi-aéreo e aviação agrícola enfrentam aumentos de até 67% no combustível, sem incentivos federais, ameaçando serviços essenciais e o agronegócio.
O setor da aviação geral no Brasil, que inclui táxi-aéreo e aviação agrícola, enfrenta uma grave crise com a disparada nos preços dos combustíveis. Entre março e abril, os valores para abastecer aeronaves subiram drasticamente em diversos aeroportos do país, com impactos diretos e crescentes nos custos operacionais e, consequentemente, nos serviços prestados à população e ao agronegócio.
Essa elevação contrasta fortemente com o tratamento dado às grandes companhias aéreas comerciais. Enquanto estas receberam auxílio do governo federal, como a isenção de PIS e Cofins sobre o querosene de aviação, além de novas linhas de crédito e prorrogação de prazos para taxas de navegação, a aviação geral ficou de fora de qualquer tipo de subsídio ou facilidade.
As dificuldades resultam em repasses significativos para os clientes, com a perspectiva de encarecimento de fretamentos e da produção agrícola. A situação é alarmante para segmentos cruciais da economia brasileira, conforme informação divulgada por Revista High.
Disparada nos Preços: Aeroportos Sentem o Impacto
A elevação no preço dos combustíveis foi sentida de forma expressiva em todo o território nacional. Segundo a tabela da Vibra, o menor aumento para o querosene de aviação (JET-A e BR Jet Plus) foi de 24,13522335% no aeroporto Santa Maria, em Aracaju (SE), onde o litro passou de R$ 8,3708 para R$ 10,42.
Na outra ponta, o Campo de Marte, em São Paulo (SP), registrou um aumento de 55,30679765%, com o litro do JET-A e BR Jet Plus saindo de R$ 4,9267 para R$ 7,65 e R$ 7,75, respectivamente. O preço mais alto praticado pela Vibra atingiu R$ 16,01 em São Gabriel da Cachoeira (AM), com um aumento de 24,70574489% para o JET-A.
A Shell também apresentou aumentos notáveis, com o menor em Boa Vista (RR), de 31,51086812% (litro de R$ 7,499 para R$ 9,862), e o maior em Ipatinga (MG), de 51,70975813%. Lá, o JET-A passou de R$ 7,194 para R$ 10,914, sendo o preço mais elevado da empresa no Brasil.
Aviação Geral: Táxi-Aéreo e Agrícola Sem Amparo Federal
Apesar de sua importância estratégica, o táxi-aéreo e a aviação agrícola, que possui a segunda maior frota do planeta, foram excluídos das ajudas governamentais. A frota brasileira de aviação agrícola superou 2.800 aeronaves, crescendo 5,2% no último ano, mas o setor não conta com apoio similar ao da aviação comercial.
O táxi-aéreo é essencial para conectar localidades não atendidas pela malha aérea comercial, em um país com 5.200 aeródromos registrados, mas apenas 100 com Plano de Segurança Aeroportuária aprovado pela Anac. A aviação corporativa, por sua vez, permite o deslocamento eficiente de equipes técnicas para resolver problemas industriais em locais distantes, economizando tempo e dinheiro.
A falta de apoio governamental é atribuída à pouca presença parlamentar do setor, que tem limitado o diálogo com o poder público para minimizar os impactos das crises globais, como os conflitos no Oriente Médio que afetam o preço do petróleo.
Custo Operacional Aéreo Elevado Repassa Aumento ao Consumidor
Os recentes aumentos nos combustíveis elevaram o peso do preço dos insumos para 43% dos custos operacionais do táxi-aéreo. Fontes do mercado indicam que essa despesa adicional será repassada aos clientes, gerando um aumento estimado de cerca de 40% nos futuros fretamentos.
Na aviação agrícola, a situação não é diferente. Segundo Cláudio Júnior, diretor do Sindag, o setor registrou um aumento médio de 25% nos custos operacionais. Uma pesquisa em oito estados revelou aumentos de até 67,3% na gasolina de aviação, 51,6% no querosene e 6,9% no etanol, além de 7,7% no diesel, usado em veículos de apoio.
A frota agrícola brasileira é composta por 51% de aeronaves que consomem gasolina de aviação, 19% etanol e 30% querosene. Após um período de deflação de -1,5% nos custos, o índice parcial de inflação para a aviação agrícola já aponta uma alta geral de 6,75%.
Agronegócio Ameaçado: Impacto do Combustível na Produção e Exportação
Diante do cenário, operadores da aviação agrícola foram recomendados a repassar um aumento de no mínimo 10% para os contratantes. Atualmente, a aviação agrícola representa 20% dos custos da produção do agronegócio, e esse percentual deve subir, impactando diretamente a gôndola do mercado.
A mitigação dos problemas é difícil, pois a aviação agrícola é crucial para diversas culturas. Pragas como a do bicudo algodoeiro só são efetivamente combatidas via aplicação aérea. São 29 culturas altamente dependentes da aviação agrícola, incluindo 10 itens que representam 49% das exportações do agro no Brasil, como soja, milho e carne bovina.
A cana-de-açúcar, por exemplo, é uma cultura alta que exige aplicação aérea, assim como o arroz em áreas irrigadas. A forte correlação entre o uso da aviação agrícola e a produção em larga escala é comprovada: 83% dos grãos e frutas do Brasil são produzidos em oito estados, onde se concentra 87% da frota agrícola.
Perguntas Frequentes
Qual é o principal impacto do aumento do combustível na aviação geral?
O principal impacto é o aumento significativo dos custos operacionais para empresas de táxi-aéreo e aviação agrícola, que deverão repassar essas despesas aos clientes, resultando em serviços mais caros e um efeito cascata na economia, especialmente no agronegócio.
Por que a aviação geral não recebeu os mesmos incentivos que as aéreas comerciais?
A fonte indica que a aviação geral não recebeu os mesmos incentivos federais, como a isenção de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação, devido à sua "pouca presença parlamentar

