O protótipo de Havilland DH.110 se desintegra em show aéreo, matando piloto, observador e 29 espectadores, em setembro de 1952.

Em 6 de setembro de 1952, o Farnborough Air Show, na Inglaterra, foi palco de uma das mais graves tragédias da aviação. O protótipo do caça a jato de Havilland DH.110, registro WG236, desintegrou-se no ar durante uma demonstração de voo, chocando milhares de espectadores.

O incidente ceifou a vida do piloto de testes John Douglas Derry, D.F.C., e do observador Anthony Max Richards. Em terra, 29 espectadores morreram e outros 63 ficaram feridos, marcando um dia sombrio para a história das exibições aéreas, conforme informação divulgada por This Day.

O DH.110 WG236, após um mergulho supersônico, realizava um circuito em baixa altitude e alta velocidade quando suas asas cederam. A aeronave se partiu em voo, caindo sobre uma área de observação lotada e espalhando destroços.

O Voo Fatal e a Desintegração do DH.110 em Farnborough

O protótipo DH.110 WG236 havia completado um mergulho supersônico de 40.000 pés, atingindo Mach 1. Em seguida, realizou uma passagem em baixa altitude a cerca de 600-650 mph (965-1.046 km/h) diante de uma plateia de 120.000 pessoas no Farnborough Air Show.

A revista Flight descreveu o evento: testemunhas viram "duas pequenas nuvens brancas", indicando que a aeronave havia excedido Mach 1. Segundos depois, "dois estrondos altos em rápida sucessão" foram ouvidos, e o avião apareceu a 1.000-1.500 pés de altura.

Após a passagem principal, o DH.110 fez uma curva à esquerda. Durante uma guinada de 90 graus em direção às áreas de espectadores, a desintegração começou: pequenos fragmentos se soltaram, e os dois motores Avon e o nariz se destacaram da fuselagem.

Um dos motores caiu sobre uma encosta lotada, causando a maioria das vítimas. O outro pousou sem danos. O nariz da aeronave impactou o gramado em frente a uma área de observação, enquanto a fuselagem principal caiu na parte noroeste do aeródromo.

As Causas Técnicas da Tragédia com o de Havilland DH.110

O de Havilland DH.110 era um protótipo de interceptador bimotor para qualquer clima, destinado à Marinha Real Britânica. O modelo WG236 foi o primeiro protótipo, com aproximadamente 125 horas de voo desde sua estreia em 26 de setembro de 1951, equipado com dois motores Rolls-Royce Avon RA.3.

A investigação revelou tensões inesperadas nas asas enflechadas do DH-110, que posicionavam os ailerons atrás do centro de gravidade. Ao iniciar uma curva à direita e subir, os painéis externos das asas sofreram torção, causando a falha.

Essa torção levou à falha estrutural da asa direita, e a rolagem resultante causou a falha da asa esquerda. A aeronave sofreu uma aceleração de mais de 12 Gs, desintegrando cockpit, motores e cauda. A tripulação não foi considerada culpada.

Após o acidente, mudanças significativas foram implementadas. A localização dos espectadores e as manobras permitidas para as aeronaves foram revisadas nos shows aéreos a partir daquele momento, garantindo maior segurança ao público e participantes.

O Reconhecimento Póstumo a John Derry e Anthony Richards

Os pilotos John Douglas Derry e Anthony Max Richards foram postumamente condecorados com a Menção Elogiosa da Rainha por Serviços Valiosos no Ar ("Queen’s Commendation for Valuable Service in the Air"). A homenagem foi publicada em 12 de setembro de 1952.

A condecoração reconheceu seus "serviços ao testar uma aeronave experimental", destacando a bravura e dedicação exigidas no voo de teste, apesar do trágico desfecho. Este reconhecimento sublinhou o risco inerente às inovações aeronáuticas.

John Douglas Derry, nascido no Cairo, Egito, em 1921, teve uma carreira notável. Serviu como artilheiro aéreo e operador de rádio na Royal Air Force (RAF) em 1939, antes de se tornar piloto e voar Hawker Typhoons em missões de combate.

Em junho de 1945, Derry foi condecorado com a Distinguished Flying Cross (D.F.C.), um dos mais altos reconhecimentos por bravura em combate aéreo. Sua transição para piloto de testes na de Havilland refletia sua excepcional habilidade e coragem na vanguarda da aviação a jato.

Perguntas Frequentes

O que foi o acidente de Farnborough em 1952?

Foi a desintegração do protótipo de Havilland DH.110 WG236 durante uma demonstração de voo no Farnborough Air Show em 6 de setembro de 1952. O acidente matou os pilotos John Douglas Derry e Anthony Max Richards, além de 29 espectadores.

Qual a causa principal do desastre com o DH.110?

A investigação concluiu que a aeronave sofreu falhas estruturais nas asas devido a tensões inesperadas. Os painéis externos das asas enflechadas sofreram torção excessiva durante uma manobra de curva e subida, levando à sua desintegração em pleno ar.

Quais foram as consequências do acidente de Farnborough?

Além das mortes e feridos, o desastre levou a mudanças significativas nas regras de segurança dos shows aéreos. Houve uma revisão da localização dos espectadores e das manobras permitidas para aeronaves em demonstrações, para evitar futuras tragédias e garantir a segurança do público.

Quem foi John Douglas Derry?

John Douglas Derry foi um renomado piloto de testes britânico da de Havilland Aircraft Company e um veterano da Segunda Guerra Mundial, condecorado com a Distinguished Flying Cross. Ele foi uma figura proeminente na aviação a jato antes de sua morte no acidente do DH.110.