A incrível saga do co-piloto John Cary Morgan, que em meio ao caos de um ataque aéreo, demonstrou bravura excepcional na Segunda Guerra Mundial.

Em 28 de julho de 1943, o Segundo-Tenente John Cary Morgan, do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos, realizou um ato de heroísmo extraordinário durante uma missão de bombardeio sobre a Europa ocupada pelo inimigo. Como co-piloto de um bombardeiro B-17, Morgan enfrentou um ataque feroz que deixou seu avião gravemente danificado e o piloto incapacitado.

Sua decisão de continuar a missão, apesar das condições desesperadoras, culminou na salvação da aeronave e de sua tripulação, solidificando seu nome na história militar. Por essa proeza, Morgan foi agraciado com a prestigiosa Medalha de Honra pelo Tenente-General Ira C. Eaker.

A honraria reconheceu sua "conspicuous gallantry and intrepidity above and beyond the call of duty" (bravura e intrepidez notáveis além do dever), conforme informação divulgada por This Day.

O Caos Aéreo e a Resposta Imediata de Morgan

Durante o voo em direção ao alvo, antes de chegar à costa alemã, o B-17 de Morgan foi severamente atacado por uma grande força de caças inimigos. O sistema de oxigênio das posições de cauda, cintura e rádio foi destruído, e um ataque frontal disparou um projétil de canhão através do para-brisa, estilhaçando-o completamente. O piloto foi atingido na cabeça por um projétil calibre .303, ficando em estado de delírio e prendendo os braços firmemente no volante.

Sem hesitação, o Segundo-Tenente Morgan assumiu os controles do seu lado e, com pura força, conseguiu recolocar o avião na formação, apesar da luta frenética do piloto semiconsciente. O interfone havia sido destruído, impossibilitando qualquer pedido de ajuda. Nesse momento crítico, o atirador da torre superior caiu, com um braço amputado no ombro e uma grave ferida lateral. Os atiradores da cintura, cauda e rádio haviam perdido a consciência por falta de oxigênio, levando Morgan a crer que haviam saltado.

Resistência Heroica e Decisão Crucial no Ar

Mesmo com o piloto ferido resistindo desesperadamente em suas tentativas alucinadas de voar, Morgan tomou a decisão de continuar a missão. Ele voaria até o alvo e retornaria a uma base amiga totalmente sozinho. Sua prioridade era proteger quaisquer membros da tripulação que ainda pudessem estar a bordo da aeronave.

Por duas horas, John Cary Morgan pilotou o B-17 em formação, mantendo uma mão nos controles e a outra afastando o piloto em luta. Somente quando o navegador conseguiu entrar no compartimento de direção e aliviar a situação, o fardo foi dividido. A atuação milagrosa e heroica de Morgan resultou na conclusão bem-sucedida de uma missão de bombardeio vital e no retorno seguro de seu avião e tripulação.

A Trajetória Singular de John "Red" Morgan

Nascido em 24 de agosto de 1914, em Vernon, Texas, John Cary Morgan, conhecido como "Red" devido aos seus cabelos ruivos, teve uma vida marcada por desafios e reviravoltas. Inicialmente classificado como 4-F, inapto para o serviço militar devido a uma fratura no pescoço sofrida em um acidente em um campo de petróleo, Morgan não se conformou. Ele viajou para o Canadá e, em 4 de agosto de 1941, alistou-se na Força Aérea Real Canadense (RCAF), voando doze missões de combate antes de ser transferido para o Corpo Aéreo do Exército dos EUA.

Após receber a Medalha de Honra, Morgan, promovido a Segundo-Tenente, continuou a voar missões de combate. Em 6 de março de 1944, o B-17 em que atuava como co-piloto foi abatido perto de Berlim por um projétil antiaéreo. Sobrevivente do incidente, ele foi capturado e passou o restante da guerra como prisioneiro em Stalag Luft I, tornando-se o único recipiente da Medalha de Honra a ser mantido como prisioneiro de guerra após ser agraciado.

Separado do serviço ativo em 1946, Morgan trabalhou para a companhia de petróleo Texaco. Ele continuou na reserva da Força Aérea, sendo promovido a major em 1950 e, posteriormente, a tenente-coronel em 1957. John Cary Morgan faleceu em 17 de janeiro de 1991, aos 76 anos, e foi sepultado no Cemitério Nacional de Arlington, deixando um legado de coragem e resiliência que transcende as páginas da história.

Perguntas Frequentes

Quem foi John Cary Morgan?

John Cary Morgan foi um Segundo-Tenente do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos, agraciado com a Medalha de Honra por seu heroísmo durante a Segunda Guerra Mundial. Ele pilotou um B-17 danificado por duas horas enquanto o piloto estava incapacitado, salvando a tripulação e a missão.

Qual foi o ato heroico de John Cary Morgan?

Em 28 de julho de 1943, durante uma missão de bombardeio sobre a Europa, seu B-17 foi atacado. Com o piloto ferido e delirante, Morgan assumiu os controles da aeronave com uma mão e conteve o piloto com a outra por duas horas, garantindo o retorno seguro do avião e da tripulação.

John Cary Morgan foi prisioneiro de guerra?

Sim, após ser agraciado com a Medalha de Honra, John Cary Morgan foi abatido em uma missão posterior, em 6 de março de 1944. Ele foi capturado e passou o restante da Segunda Guerra Mundial como prisioneiro de guerra em Stalag Luft I, sendo o único recipiente da Medalha de Honra com essa distinção.

Onde John Cary Morgan foi enterrado?

O Tenente-Coronel John Cary Morgan foi sepultado no Cemitério Nacional de Arlington, nos Estados Unidos, após seu falecimento em 17 de janeiro de 1991, aos 76 anos.