Secretário do Tesouro, Scott Bessent, detalha medidas econômicas que visam reduzir operações militares e derrubar o regime em Teerã.
Os Estados Unidos estão prestes a impor as “sanções mais duras da história” ao Irã. A afirmação foi feita nesta quinta-feira, 20 de agosto, pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, em uma estratégia que, segundo ele, busca diminuir a necessidade de grandes operações militares contra Teerã, intensificando a pressão econômica sobre o país.
A declaração de Bessent segue uma ameaça do presidente Donald Trump, feita na quarta-feira, sobre uma “Guerra Econômica” e o aviso de que haverá consequências severas para qualquer nação que fornecer “qualquer tipo de ajuda vital ao Irã”. As tensões elevadas já resultaram na alta dos preços do petróleo, que atingiram o maior patamar em mais de três semanas nesta quinta-feira, refletindo a incerteza nos mercados.
Scott Bessent indicou que a máxima pressão econômica visa evitar um “reinício cinético em grande escala”, termo que se refere ao uso da força militar. O Irã, por sua vez, classificou as sanções dos EUA como “terrorismo econômico”, uma medida que atingiria civis e equivaleria a crimes contra a humanidade, conforme informação divulgada por NEGÓCIOS.
Impacto das Sanções e a Reação Iraniana
O conflito que já dura quase seis meses vitimou milhares de pessoas e desestabilizou os mercados, especialmente após o Irã demonstrar sua capacidade de restringir o tráfego marítimo pelo crucial Estreito de Ormuz. Este estreito, que antes de fevereiro transportava cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado globalmente, tem sido palco de tensões.
Mesmo com dois acordos de cessar-fogo anunciados em abril e junho, ambos fracassaram rapidamente. O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou veementemente as sanções econômicas e comerciais dos EUA, reiterando que tais medidas são “terrorismo econômico” e que impactam diretamente os cidadãos iranianos comuns, configurando crimes contra a humanidade.
A Pressão sobre Aliados e a China
O secretário Bessent confirmou à CNBC que mais detalhes serão divulgados em uma coletiva de imprensa na próxima segunda-feira. “É um golpe duplo. Temos o bloqueio (ao Irã) e vamos impor as sanções mais duras da história”, afirmou ele, referindo-se ao bloqueio naval dos EUA imposto ao Irã em abril e suspenso por um mês em meados de junho.
Bessent foi enfático ao declarar: “Isso vai funcionar no Irã e vamos derrubar esse regime. É hora de nossos aliados e do resto do mundo tomarem uma decisão”. Questionado sobre possíveis ações contra a China, que compra mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã, segundo dados de 2025 da Kpler, Bessent disse que muitas conversas são melhor conduzidas em particular, ponderando que a China obtém 50% de sua energia do Golfo Pérsico.
Objetivos de Trump e a Persistência Iraniana
O Irã tem suportado sanções econômicas severas e contínuas por quase 50 anos, desde a Revolução Islâmica de 1979. Ameaças do presidente Trump de “guerra econômica e isolamento em escala sem precedentes” visam aprofundar esse cerco, alertando que “QUALQUER país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais ofereçam qualquer tipo de apoio vital ao Irã enfrentará, por sua vez, CONSEQUÊNCIAS econômicas TREMENDAS”.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, criticou as declarações de Trump, classificando-as como uma tentativa de desviar a atenção da opinião pública norte-americana de problemas financeiros internos. Ele defendeu que a insistência de Washington em políticas fracassadas apenas gerará mais insucessos e alienará os iranianos, reiterando que o “terrorismo econômico dos Estados Unidos ameaça a economia global e a soberania nacional de países em todo o mundo”.
O Estreito de Ormuz e a Diplomacia Regional
As ameaças de Trump nem sempre se materializam conforme redigidas. Ele não especificou quais medidas concretas os EUA tomariam, nem citou países, embora a advertência pareça estender-se a aliados dos EUA que têm mediado negociações de paz. O Irã vinha negociando separadamente um acordo sobre a gestão do Estreito de Ormuz com Omã, e já havia afirmado que um acordo estava próximo.
Em resposta a essas negociações, Trump ameaçou Omã, um parceiro de longa data dos EUA em questões de segurança, advertindo que poderia bombardear o país caso ele “se intrometesse”. O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, enfatizou a necessidade de uma paz permanente na região para garantir a segurança duradoura no estreito, rejeitando uma nova escalada de tensões.
Perguntas Frequentes
Por que os EUA estão impondo novas sanções ao Irã?
Os Estados Unidos estão impondo as “sanções mais duras da história” ao Irã para forçar o fim de um conflito de quase seis meses, reduzir a necessidade de operações militares e, segundo o secretário do Tesouro Scott Bessent, derrubar o regime iraniano.
Como o Irã reagiu às ameaças de sanções?
O Irã, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores e do ministro Abbas Araqchi, condenou as sanções dos EUA, classificando-as como “terrorismo econômico” que visa os iranianos comuns e equivale a crimes contra a humanidade, além de ser uma tentativa de desviar a atenção de problemas internos dos EUA.
Qual o papel do Estreito de Ormuz no conflito EUA-Irã?
O Estreito de Ormuz é uma via navegável vital por onde passava cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente. A capacidade do Irã de restringir o tráfego no estreito e o bloqueio naval dos EUA na região intensificaram as tensões e os impactos econômicos do conflito, levando a negociações e ameaças sobre sua gestão.
A China será afetada pelas sanções dos EUA contra o Irã?
A China, que compra mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã, pode ser afetada pelas sanções, já que o secretário Scott Bessent indicou que qualquer país que dê "ajuda vital" ao Irã enfrentará "consequências econômicas". Embora Bessent sugira conversas privadas, há o risco de retaliação em uma nova guerra econômica com a China, um importante exportador para os EUA.

